Durante muito tempo, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi associado principalmente à infância. No entanto, especialistas têm observado um número crescente de pessoas que descobrem o diagnóstico apenas na vida adulta, muitas vezes após anos convivendo com dúvidas sobre comportamentos, emoções e dificuldades de socialização.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo, o equivalente a aproximadamente 1,2% da população brasileira. Embora grande parte dos diagnósticos aconteça ainda na infância, muitos casos acabam sendo identificados somente mais tarde.
Nossa equipe esteve com os gestores da clínica, Diego Azevedo Barros e Jaqueline Azevedo, que acompanham de perto essa realidade no dia a dia profissional. Diego, que também atua como gestor da clínica, compartilhou um pouco da sua própria trajetória até descobrir o autismo já na vida adulta. Segundo ele, durante muitos anos algumas características faziam parte da rotina, mas não tinham uma explicação clara.
O diagnóstico trouxe um novo entendimento sobre diversas situações vividas ao longo da vida, além de proporcionar um processo importante de autoconhecimento. De acordo com especialistas, a descoberta tardia pode gerar diferentes sentimentos, como surpresa, reflexão e até alívio. Isso porque o diagnóstico ajuda a compreender comportamentos que antes eram interpretados apenas como traços de personalidade.
A diretora e psicóloga Jaqueline Azevedo destaca que o acesso à informação tem contribuído para que mais adultos procurem avaliação profissional. Com mais conhecimento sobre o espectro autista e suas diferentes manifestações, cresce também a conscientização sobre a importância do diagnóstico.
Mesmo quando ocorre na fase adulta, a identificação do autismo pode trazer benefícios importantes. Além de favorecer o autoconhecimento, ela possibilita o acesso a acompanhamento psicológico e estratégias que ajudam na organização da rotina, nas relações sociais e na qualidade de vida.
O aumento das discussões sobre o tema também fortalece o debate sobre neurodiversidade, mostrando que diferentes formas de funcionamento do cérebro fazem parte da diversidade humana e precisam ser compreendidas com informação, respeito e inclusão.
Reportagem: Lilian Calixto
Imagens: Rhayza Barros
Direção: Bianca Feitosa
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