A Agência Internacional de Energia Atómica das Nações Unidas (AIEA) afirmou nesta sexta-feira (27) que os níveis de radiação na região do Golfo permanecem normais após o ataque às instalações nucleares iranianas por Israel e Estados Unidos.
O órgão de supervisão da ONU vem pedindo acesso a Fordow, Natanz e Isfahan desde o começo da semana, depois que os EUA declararam ter destruído as estruturas. No entanto, há dois dias, o governo iraniano suspendeu sua cooperação com a agência.
Nesta sexta, junto com a declaração tranquilizadora, descartando um possível vazamento de radiação, a agência voltou a pedir que inspetores da AIEA possam cumprir suas atividades de verificação no Irã.
Na rede social X, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, criticou a insistência, que chamou de “sem sentido, até mesmo maligna”, e criticou o diretor do órgão, Rafael Grossi.
“O Parlamento do Irã votou pela suspensão da colaboração com a AIEA até que a segurança de nossas atividades nucleares possa ser garantida. (…) A insistência de Rafael Grossi em visitar os locais bombardeados sob o pretexto de salvaguardas é sem sentido e, possivelmente, até mesmo maliciosa. O Irã reserva-se o direito de tomar quaisquer medidas em defesa de seus interesses, seu povo e sua soberania”, escreveu Araqchi.
A guerra de narrativas sobre a destruição da instalações
Na quarta-feira (25), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, admitiu pela primeira vez que as instalações nucleares do país foram “gravemente danificadas” pelos ataques que os Estados Unidos fizeram no fim de semana.
Até o momento, autoridades iranianas e a mídia estatal do país vinham minimizando a extensão dos danos dos ataques dos EUA e de Israel ao programa nuclear do país.
No entanto, Baghaei disse que não daria mais detalhes sobre a quais instalações nucleares se referiu ou se houve vazamento de material radioativo decorrente dos ataques.
Mais cedo, o Irã havia suspendido sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sob o argumento de que ela estava politicamente enviesada a favor de Israel durante o conflito entre os dois países. Apesar da decisão, o país continua no Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Israel e Irã trocaram ataques aéreos durante 12 dias antes de chegarem ao cessar-fogo. O acordo entrou em vigor na madrugada de terça-feira (24). Não houve novos bombardeios intensos nas primeiras 24 horas, mas o clima seguiu tenso, com trocas de acusações e com ambos os lados declarando vitória. Após o início da trégua, os dois países anunciaram vitória no conflito.
Desde o início do cessar-fogo, há também um embate de versões sobre a real situação das usinas nucleares iranianas, que foram bombardeadas diversas vezes durante o conflito.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as instalações foram “completamente destruídas” e disse que o programa nuclear do Irã foi atrasado em “décadas”. No entanto, um relatório de Inteligência produzido por uma agência do Pentágono afirmou que o ataque americano atrasou o programa iraniano por apenas alguns meses.
Fonte: G1.
Foto: MAXAR TECHNOLOGIES/via REUTERS.






